
A consultoria SemiAnalysis publicou em 5 de outubro um teste dos limites de uso de assinaturas de IA. A conclusão: os planos da Anthropic entregam cerca de 5 vezes o valor em equivalente de API dos planos da OpenAI, no uso de agentes com os modelos de nível intermediário, o Claude Opus 5.5 e o GPT-6.1 Sol. A diferença cresceu porque a OpenAI cortou pela metade o uso incluído no plano de US$ 200, a partir de 30 de outubro, e criou um plano de US$ 500.
Em resumo
- O cálculo: a SemiAnalysis mediu quanto cada plano deixa usar e converteu isso em quanto a mesma carga custaria pela API. A Anthropic entrega cerca de 5 vezes mais nesse critério.
- O corte da OpenAI: o Pro de US$ 200 cai de 20 para 10 vezes o uso do Plus em 30 de outubro. O novo Pro de US$ 500 dá só 21% a mais do modelo de topo que o Pro de US$ 200 antigo.
- O peso no caixa: assinaturas são cerca de 10% da receita da Anthropic, mas podem consumir mais de 40% da computação de inferência, segundo estimativa da SemiAnalysis.
- Ressalva: o próprio estudo fala em 5 vezes no título e em cerca de 4 vezes no trecho sobre o Opus 5.5. E modelos gastam tokens de forma diferente por tarefa.
- Resposta: a OpenAI não respondeu ao pedido de comentário do The Register.
Como a SemiAnalysis fez a conta?
O estudo é assinado por Andrew Megalaa, Max Kan e Dylan Patel. A equipe testou planos da Anthropic, da OpenAI, da Meta, da SpaceXAI, de laboratórios chineses e de ferramentas como Cursor e Cognition. Para cada combinação de plano, modelo e tipo de token, mediu quanto o medidor de uso andava. Depois converteu esse volume em dólares pelo preço de API, com uma mistura de uso baseada no padrão de agentes de setembro. A margem de erro declarada é de 5% para cima ou para baixo.
A comparação tem dois níveis. No topo, o GPT-6 Astra e o Fable 5.1 têm limites parecidos. No nível intermediário, que as duas empresas vendem como modelo do dia a dia, a diferença aparece. Segundo o estudo, o Opus 5.5 em qualquer plano do Claude rende mais que qualquer opção da OpenAI. Pela conta do The Register, o Claude Pro de US$ 20 dá 2,9 bilhões de tokens por mês, contra 1 bilhão no ChatGPT de US$ 20.
O que a OpenAI mudou?
Em 29 de setembro, no DevDay, a OpenAI anunciou o Pro de US$ 500, com 25 vezes o uso do Plus e acesso ao modo Ultrafast do GPT-6 Astra no Codex, segundo o The New Stack. No mesmo dia, o Pro de US$ 200 passou a ter 10 vezes o uso do Plus, contra 20 vezes antes, a partir de 30 de outubro. Quem já assinava mantém o limite antigo até 29 de outubro e recebe 62.500 créditos de uso, que a OpenAI diz valer US$ 2.500, com validade até 31 de dezembro.
Tibo Sottiaux, chefe de produto e plataforma da OpenAI, disse no X que a nova conta equivale a metade do gasto em API do plano antigo. A SemiAnalysis acrescenta que o novo Pro de US$ 500 dá só 21% a mais de Astra que o antigo Pro de US$ 200. E que o valor em API dos modelos da classe Sol caiu mais do que o corte, porque a OpenAI também baixou o preço do 6.1 Sol na API, o que reduz o valor de referência.
Os números conferem?
Há duas diferenças que a fonte primária explica. O título do estudo fala em 5 vezes mais valor. No trecho sobre o Opus 5.5, a SemiAnalysis escreve cerca de 4 vezes. O The Register cita o estudo dizendo 5 vezes em toda a linha. A leitura mais segura é uma vantagem de 4 a 5 vezes, conforme o modelo e a mistura de uso.
A segunda diferença é a fatia da computação. A SemiAnalysis fala em mais de 40% da inferência da Anthropic para assinaturas, que respondem por cerca de 10% da receita. O The Register usa 42%. As duas cifras são estimativas da consultoria, sem confirmação da Anthropic. O The Register traz ainda um contraponto da Artificial Analysis: o custo por tarefa do GPT-6.1 Sol é de US$ 0,72, contra US$ 5,98 do Opus 5.5. Ou seja, um modelo pode gastar muito menos tokens para fazer a mesma coisa, e o valor em API sozinho não mede isso.
Como chegamos até aqui?
O Opus 5.5 chegou com preço de entrada e saída 20% menor que o do Opus 5 e leitura de cache 60% mais barata, segundo a SemiAnalysis. A Anthropic subiu cerca de 20% os tokens dos planos Max e cerca de 50% os do Pro. A OpenAI foi pelo caminho contrário e cortou. Segundo o The New Stack, 20 vezes o uso básico era o padrão dos planos de topo de US$ 200 entre Google, Anthropic e OpenAI. A OpenAI saiu desse padrão. A Marcio.AI cobriu o anúncio no post sobre o DevDay.
O que isso muda para quem usa no Brasil?
Times brasileiros de desenvolvimento pagam essas assinaturas em dólar. Com a OpenAI cobrando o dobro pelo mesmo volume no plano de topo, a conta por desenvolvedor muda a partir de 30 de outubro. A recomendação prática é medir o consumo real do time por duas semanas antes de renovar e comparar o custo por tarefa concluída junto com o volume de tokens. Para quem roda agentes o dia todo, a assinatura costuma sair mais barata que a API. Esse subsídio tem prazo, porque come a margem do fornecedor.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: até o fim do primeiro trimestre de 2027, a Anthropic vai apertar os limites dos planos do Claude, porque assinaturas que usam mais de 40% da inferência com 10% da receita não fecham a conta perto de um IPO. Quem ganha agora é o usuário pesado de agentes que migrar para o Claude. Sinais para conferir. Mudança de limite nos planos Max depois de 30 de outubro. Resposta da OpenAI, com bônus ou novo plano intermediário. E os números de assinaturas no prospecto da Anthropic.
Fontes
- SemiAnalysis, Anthropic subscriptions offer 5x+ more value than OpenAI, 05/10/2026
- The Register, Anthropic Claude subscription plan provides more value than OpenAI’s, study says, 06/10/2026
- The New Stack, OpenAI halves $200 plan allowance, launches $500 plan, 29/09/2026
Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, No centro do hype). Seção TechBiz do Watcher.
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Como este texto foi produzido
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