
Dois ex-engenheiros que mantêm ações da Groq, Joshua Rubin e Benjamin Serebrin, entraram em 2 de outubro de 2026 com uma ação no Tribunal de Chancelaria de Delaware contra o conselho da empresa. Eles contestam o acordo de US$ 20 bilhões com a Nvidia, fechado em dezembro de 2025, e dizem que o conselho dispensou o voto dos acionistas exigido pela lei de Delaware. A Groq chamou a ação de “sem mérito”. O caso se soma a uma investigação do Departamento de Justiça dos EUA sobre o mesmo negócio.
Em resumo
- Quem processa: Joshua Rubin e Benjamin Serebrin, ex-engenheiros que saíram antes do acordo e mantiveram ações.
- O acordo: US$ 17 bilhões por uma licença não exclusiva da tecnologia de inferência e US$ 3 bilhões em ações da Nvidia para quem migrou.
- A acusação: o conselho, em conflito de interesse, teria dispensado o voto dos acionistas e beneficiado fundos ligados aos conselheiros.
- A resposta: a Groq diz que o acordo trouxe “valor excepcional” e que vai se defender. A Nvidia não comentou.
- Pano de fundo: o Departamento de Justiça investiga desde setembro se o formato de licença serviu para fugir da revisão antitruste.
O que dizem os ex-engenheiros?
A ação foi registrada na sexta-feira, 2 de outubro, segundo o Quartz e o BigGo Finance. O caso ganhou repercussão a partir de reportagem do Financial Times, citada pelo AI Weekly e pelo National Technology. Os dois autores saíram da Groq antes do anúncio do acordo e ficaram com ações comuns.
A tese central é processual. O acordo foi montado como licença. Segundo os autores, na prática ele levou quase todos os engenheiros da Groq e deixou os acionistas comuns em desvantagem, e por isso precisava do voto dos acionistas exigido pela lei de Delaware. Eles também dizem que a maioria do conselho tinha conflito de interesse e que fundos ligados a conselheiros ficaram posicionados para ganhos grandes numa operação de saída posterior. Segundo o National Technology, os advogados afirmam que o conselho “ficou com bilhões de dólares em benefícios para si, para a alta gestão e para fundos ligados, que não dividiu com os outros acionistas”.
A resposta da Groq foi direta: “Nosso acordo de licença com a NVIDIA trouxe valor excepcional para a Groq, nossos investidores e nossos funcionários. Esta ação não tem mérito e vamos nos defender com vigor.” A Nvidia não comentou ao Financial Times.
Como foi o acordo de dezembro?
Os números divergem nas fontes, e a diferença tem explicação. A Reuters e a The Next Web falam em licença de US$ 17 bilhões. O valor de US$ 20 bilhões soma essa licença a US$ 3 bilhões em ações restritas da Nvidia reservadas aos funcionários que mudaram de empresa, segundo o Quartz e o BigGo Finance. Os US$ 17 bilhões foram distribuídos aos acionistas, e os US$ 3 bilhões ficaram só com quem foi para a Nvidia. Essa separação é o centro da ação.
Foram para a Nvidia o fundador e CEO Jonathan Ross, o presidente Sunny Madra e de 150 a 200 engenheiros, segundo o Quartz. A Crypto Briefing calcula que perto de 90% dos funcionários migraram. A Groq seguiu como empresa independente, com Simon Edwards como CEO.
Como chegamos até aqui?
Em 9 de setembro, o New York Times revelou, e a Reuters reproduziu, que o Departamento de Justiça abriu investigação pouco depois do anúncio e enviou à Nvidia um pedido formal de informações. O foco é saber se o formato de licença com contratação serviu para evitar a revisão antitruste de uma compra. A Reuters registrou que multa é possível e que desfazer o negócio é considerado improvável. Os senadores Elizabeth Warren e Richard Blumenthal já tinham questionado o acordo em março, segundo a The Next Web. A Nvidia respondeu na época que o caso Groq é “um exemplo do sistema americano funcionando como deveria”. A The Next Web cita ainda acordo parecido com a Poolside, de US$ 6 bilhões em licença e 109 contratações.
O que isso muda para startups e fundadores no Brasil?
O formato de licença com contratação do time virou atalho das grandes empresas de IA para levar talento e tecnologia sem comprar a empresa inteira. O processo da Groq expõe o custo para quem fica com ação comum. Para fundadores e funcionários de startups brasileiras com opção de ações, a lição é prática: ler no acordo de acionistas quais operações exigem voto e como o dinheiro de uma licença chega a cada classe de ação. Para investidores locais, o caso indica que a saída por licença tende a vir com litígio quando o acionista minoritário fica de fora.
O que observar nas próximas semanas
A tese da Marcio.AI: a ação dificilmente desfaz o acordo, mas pode forçar um pagamento aos acionistas comuns e tornar o voto padrão nesse tipo de negócio. Sinais para conferir. A resposta formal do conselho da Groq no tribunal de Delaware. Qualquer conclusão do Departamento de Justiça sobre a investigação aberta em setembro. E se novos acordos de licença com contratação, como os que a Nvidia fez com a Poolside, passam a trazer voto de acionistas. Os outros movimentos da Nvidia na semana estão no post “Nvidia renova recorde e fica a cerca de 4% de valer US$ 6 trilhões”.
Fontes
- Quartz, Ex-Groq engineers sue board over $20B Nvidia asset deal, 05/10/2026
- AI Weekly (citando o Financial Times), AI News de 5 de outubro, 05/10/2026
- National Technology, Ex-Groq engineers sue over $20bn Nvidia licensing deal, 06/10/2026
- BigGo Finance, Nvidia’s $20 Billion Groq Deal Draws Shareholder Lawsuit From Former Engineers, 06/10/2026
- Crypto Briefing, Groq engineer-shareholders sue board over $20 billion Nvidia deal, 05/10/2026
- Reuters via The Star, US DOJ probes Nvidia’s licensing deal with AI startup Groq, NYT reports, 10/09/2026
- The Next Web, The Justice Department is investigating whether Nvidia structured its Groq deal to avoid antitrust review, 10/09/2026
Rating Marcio.AI: 4/5 (Global, Muito relevante, Muito próximo do hype). Seção TechBiz do Watcher.
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Como este texto foi produzido
Este texto é assinado pelo Marcio.AI, o Gêmeo Digital do portal, que produz a partir de fontes públicas, dentro do recorte editorial definido por Marcio Sampaio N. SANTANA. Ele faz parte do Watcher, a curadoria diária de notícias de tecnologia da Marcio.AI. As fontes estão listadas acima, com veículo e data. A política editorial explica o processo inteiro e como pedir correção de qualquer informação.
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